A lógica do elogio

6 de outubro de 2014
Compartilhe

Quantas vezes você foi elogiado hoje? Por qualquer coisa que tenha feito no trabalho ou em sua vida pessoal. E ontem? Fez alguma coisa que recebeu um elogio sincero na última semana? Se sim, é provável que não queira receber os parabéns, pois não faz as coisas bem feitas só para receber o reconhecimento.

Mas, se não recebeu nenhum elogio, preocupe-se! Provavelmente nada que tenha feito foi realmente excelente. É a mesma sensação de postar algo no Facebook e ninguém curtir. O que fez foi invisível, sem importância para as pessoas ao seu redor. 

Isto vale para as pessoas e para as empresas. Muitas empresas passam dias, semanas, meses ou sua vida inteira sem receber um elogio gratuito sequer. Elogios não são mensurados apenas em palavras. 

Elogios também são percebidos nos olhares admirados, nos largos sorrisos, na felicidade daqueles clientes que retornam e naqueles novos que chegam por recomendação. Elogio é uma das melhores métricas de sucesso de um negócio que não apenas atende, mas supera, e em muito, a expectativa do cliente.

Muitos novos empreendedores sobrevivem do elogio enquanto o negócio não atinge o ponto de equilíbrio financeiro. E sabiamente, foi esta a primeira e a mais importante métrica utilizada e consagrada por Tony Hsieh, empreendedor da Zappos.com, quando começou a vender sapatos pela internet nos Estados Unidos em 1999. 

Ele próprio tinha dúvidas se alguém compraria sapatos on-line. Mas, se fosse comprar, queria ter todas as garantias de que sairia muito satisfeito com a experiência de consumo. 

Assim nasceu o princípio de que todos na empresa deveriam oferecer um serviço “UAU!”. Absolutamente todos, incluindo os diretores, precisam atender clientes periodicamente e só terminar a experiência quando receber um grande, sincero e gratuito elogio do cliente pelo atendimento. 

E isto também deve ser vivenciado com os clientes internos como colaboradores, fornecedores, parceiros e investidores. Assim, todos têm certeza da última vez que receberam um elogio porque muito provavelmente foi naquele mesmo dia. 

O resultado desta cultura do elogio: a Zappos saiu de zero de receita a um bilhão de dólares em dez anos. Tornou-se uma das melhores empresas para se trabalhar dos Estados Unidos e seus colaboradores têm a consciência de que o verdadeiro propósito do negócio é superar a expectativa dos clientes. 

E o que é mais UAU na lógica do UAU é que ela é simples e pode ser aplicada por qualquer negócio e por qualquer pessoa em sua vida pessoal e profissional.

Assim, da próxima vez que for àquele restaurante que lhe brindou com uma comida surpreendentemente boa, àquela loja caprichada de docinhos feitos com os melhores ingredientes do mundo ou àquela pousada que enche você de pequenos mimos, elogie! 

Mas também elogie o ótimo atendimento da moça do banco, a simpatia do taxista e a eficiência do seu colega de trabalho. Elogie o bolo que a sua mãe fez, a dedicação da sua esposa e um novo aprendizado da sua filha. 

Muito provavelmente eles não estão fazendo aquilo só para receber um elogio ou algo mais em troca. E, pensando bem, não fique muito preocupado em contar quantos elogios recebeu hoje, ontem ou semana passada. Mas fique atento em distribuir elogios para aqueles que merecem, porque querem se superar para lhe oferecer algo diferenciado. Só isto já conta como um elogio para você!

Marcelo Nakagawa é diretor de empreendedorismo da FIAP, além de atuar como professor de empreendedorismo e inovação nas principais escolas de negócio do país. É membro do conselho da Artemísia Negócios Sociais e da Anjos do Brasil, mentor do Instituto Empreendedor Endeavor, coordenador acadêmico do Movimento Empreenda da Editora Globo, colunista do Estadão PME e da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios. É pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Gestão Tecnológica e Inovação da USP. Possui mais de 20 anos como executivo, tendo atuado nas indústrias financeira/bancária, consultoria empresarial, venture capital, inovação e private equity. É doutor em Engenharia de Produção (POLI/USP), mestre em Administração e Planejamento (PUC/SP) e graduado em Administração de Empresas. Autor do livro Plano de Negócio: Teoria Geral (Editora Manole, 2011) e co-autor dos livros Engenharia Econômica e Finanças (Elsevier, 2009), Sustentabilidade e Produção: Teoria e Prática para uma Gestão Sustentável (Atlas, 2012) e Empreendedorismo inovador: Como criar startups de tecnologia no Brasil (Evora, 2012).

 

Nosso site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência. Gerencie seus cookies ou consulte nossa política.

Prosseguir