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Copom deve manter taxa Selic na próxima reunião


Data 26/08/10


Na última reunião do Comitê de  Política Monetária  (Copom)  realizada nos dias 20 e 21/07/2010 ficou decidido, por unanimidade, que avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, seria prudente elevar a taxa Selic para 10,75% a.a., sem viés.

Vários setores da economia brasileira reagiram contrariamente ao aumento da taxa Selic. Principalmente por causa do cenário econômico positivo que o Brasil apresenta nesses últimos 6 anos. Desde 2004, a dívida líquida do setor público recuou de 61% para 42% do Produto Interno Bruto (PIB) e o Brasil conseguiu acumular mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais. A inflação também tem se mantido dentro das metas planejadas. A atual meta é de 4,5% ao ano ± 2 pontos percentuais, ou seja, de 2,5% aa até 6,5% aa. O aumento da inflação em 2010 refletiu, em grande parte, o comportamento dos preços livres, que aumentaram 3,67% no primeiro semestre. O valor acumulado da inflação, medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 4,6% no período de 12 meses. Em consequência deste histórico de inflações na meta, menor nível de endividamento público e reservas internacionais elevadas metas, reduziram-se os riscos de inflação no País durante os últimos anos.

Nos próximos dias (31 de Agosto e 1 de Setembro) será realizada a 153ª. Reunião Ordinárias  do  Comitê de  Política Monetária  (Copom) no edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, com previsão de início às 17h30 e término às 20h. As  reuniões ordinárias são realizadas sempre em duas  sessões:  a primeira,  às terças-feiras, reservada às apresentações  técnicas  de conjuntura,  e  a  segunda,  às  quartas-feiras,  para  decisões  das diretrizes de política monetária.  A reunião será presidida pelo Henrique Meirelles e participarão mais 7 membros fixos acompanhados de vários chefes de departamento: Departamento de Estudos e Pesquisas, Departamento Econômico, Departamento de Operações do Mercado Aberto, Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos e Departamento de Operações das Reservas Internacionais.

A variação de quais itens serão analisados? Certamente, serão avaliados:  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), Taxa de crescimento da série de produção industrial geral, Taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Saldo da balança comercial acumulado em doze meses e Preços do petróleo, tanto no mercado a vista quanto no futuro.

Opinião: Está havendo uma pressão política no sentido de que um aumento excessivo dos juros prejudicaria a economia em 2011. Estamos nos aproximando do final do ano e o consumo não pode ser contido. A inflação já está sendo controlada e a economia mostra sinais de desaquecimento. Os indicadores econômicos que vêm sendo divulgados me fazem crer que a inflação, inclusive o núcleo, está sob controle. Por exemplo, a queda de 0,05% do IPCA-15 de agosto comprova o movimento firme de recuo nas taxas inflacionárias. Entre os destaques está o recuo de 0,68% nos preços dos alimentos, o que resultou em uma contribuição negativa de 0,15 ponto porcentual para a taxa. Dados recentes do Boletim Focus (23/08) emitido pelo BC apresentam informações animadoras: a manutenção da projeção de expansão de 4,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e da produção industrial em 11,49%. Outro dado importante, manutenção da perspectiva para os juros em 10,75% (atual patamar) até dezembro. O correto seria a manutenção da taxa Selic em 10,75%. Mas, caso ocorra elevação, acredito que o reajuste estará entre 0 e 0,25 ponto percentual.

*Marcos Crivelaro é professor PhD da FIAP e da Faculdade Módulo, especialista em matemática financeira e consultor em finanças. Coautor do livro “Como sair do vermelho e tornar-se um investidor de sucesso”.

 

 

 
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