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Tecnologia

Do zero à IA: o que precisamos entender antes de usar inteligência artificial

Publicado

24 de agosto

Do zero à IA: o que precisamos entender antes de usar inteligência artificial
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Resumo

A explosão de ferramentas de inteligência artificial tem levado empresas e profissionais a perguntar primeiro qual solução adotar, antes de entender qual problema realmente precisa resolver. O risco disso é usar IA para acelerar processos já confusos, ampliando erros em vez de gerar valor. É necessário desenvolver a capacidade de combinar tecnologia, contexto e julgamento humano antes de escolher qualquer ferramenta. Sem esse repertório, a adoção de IA vira modismo técnico em vez de vantagem estratégica.

Por Laura Napoles – GTM Product Designer e estrategista de AI e ecossistemas de startups na Oracle e professora em programas de pós-graduação da FIAP. Sua atuação combina estratégia, AI, comunidade e construção de conexões entre startups, grandes empresas e o ecossistema de inovação.

Tecnologia é extensão humana

A inteligência artificial deixou de ser um assunto restrito a laboratórios, times técnicos ou grandes empresas de tecnologia. Ela já está presente nas buscas que fazemos, nas recomendações que recebemos, nos sistemas que organizam informações e nas ferramentas que usamos para escrever, criar, analisar e tomar decisões.

Diante da velocidade das novidades, é comum que a primeira pergunta seja: “qual ferramenta de IA eu deveria usar?”.

Porém, uma pergunta mais útil costuma vir antes: “qual problema eu quero resolver e por que a IA é uma boa escolha para isso?”.

Esse é o ponto de partida para um letramento em IA mais consistente: entender a tecnologia não como um fim em si mesma, mas como uma forma de ampliar capacidades humanas e gerar valor em contextos reais.

Tecnologia não começou no computador. Uma ferramenta, um método ou um sistema se torna tecnológico quando amplia nossa capacidade de ver, comunicar, calcular, registrar ou realizar algo.
Óculos ampliam a visão. A imprensa ampliou a circulação do conhecimento. A internet ampliou a comunicação. A inteligência artificial amplia nossa capacidade de processar grandes volumes de informação, reconhecer padrões e produzir respostas em escala.

Essa visão ajuda a reduzir dois extremos comuns: tratar a IA como algo mágico ou como uma ameaça inevitável. A IA é uma tecnologia poderosa, mas continua dependendo de objetivos claros, bons dados, contexto e julgamento humano.

Da regra ao padrão: o que muda com a IA

Sistemas tradicionais de software funcionam a partir de regras explícitas. Alguém define uma condição e uma ação: se uma compra for aprovada, o sistema confirma o pedido; se o estoque chegar a zero, um alerta é disparado.

Na inteligência artificial, especialmente em modelos de aprendizado de máquina e IA generativa, a lógica muda. Em vez de programar cada regra, treinamos ou orientamos sistemas para identificar padrões a partir de dados e exemplos.

Isso torna a IA especialmente útil em situações nas quais existem muitas variáveis, grande volume de informação ou tarefas que exigem interpretação — como resumir documentos, classificar solicitações, identificar tendências, criar rascunhos ou apoiar análises.

Ao mesmo tempo, essa característica exige cuidado. Sistemas de IA não “sabem” no sentido humano. Eles produzem resultados probabilísticos a partir de padrões aprendidos. Por isso, podem errar, reproduzir vieses, inventar informações ou falhar ao interpretar um contexto específico.

Usar IA bem também é saber quando revisar, validar e manter uma pessoa responsável pela decisão.

O problema vem antes da ferramenta

A adoção de IA ganha qualidade quando começa pelo problema, e não pela ferramenta da moda.

Antes de implementar uma solução, vale investigar:

  • Quem enfrenta esse problema?
  • Qual tarefa consome tempo ou gera atrito?
  • Que resultado queremos melhorar?
  • Como saberemos se a iniciativa funcionou?

Uma equipe pode, por exemplo, querer usar IA para responder clientes. Mas talvez o problema real não seja a falta de respostas: pode ser a dificuldade de encontrar informações atualizadas, a baixa qualidade da base de conhecimento ou a ausência de um processo claro de atendimento.

Sem esse diagnóstico, a IA pode acelerar uma operação que já estava confusa. Com ele, pode se tornar uma alavanca relevante de produtividade, qualidade e experiência.

IA precisa de pensamento de produto

Pensamento de produto é a disciplina de conectar objetivos de negócio, necessidades das pessoas e possibilidades tecnológicas. Ele é especialmente importante para a IA porque ajuda a sair do experimento isolado e chegar a soluções que fazem sentido na prática.

Uma abordagem orientada a produto começa com hipóteses simples: acreditamos que, se fizermos determinada mudança, uma pessoa conseguirá realizar uma tarefa melhor, mais rápido ou com mais qualidade. Em seguida, testamos, medimos, aprendemos e ajustamos.

No caso da IA, isso pode significar começar pequeno. Em vez de tentar automatizar toda uma área, uma organização pode testar uma solução para resumir reuniões, organizar demandas, apoiar a pesquisa de informações ou criar uma primeira versão de conteúdos.

O objetivo não é implementar IA em todos os lugares. É descobrir onde ela cria valor de verdade.

Um caminho possível para começar

Para quem está começando, o primeiro passo não é aprender a programar. É desenvolver repertório para compreender as camadas da tecnologia, reconhecer possibilidades e fazer perguntas melhores.

Isso inclui entender conceitos básicos de dados, algoritmos, modelos, interfaces e automação. Envolve também aprender a formular problemas, conhecer usuários, avaliar riscos e medir resultados.

A partir daí, o uso de IA deixa de ser apenas uma interação com uma ferramenta e passa a ser uma capacidade estratégica: a habilidade de combinar tecnologia, contexto e pensamento crítico para criar soluções mais úteis.

O futuro do trabalho não será definido apenas por quem domina uma ferramenta específica. Será definido por quem consegue identificar problemas relevantes, colaborar com diferentes áreas e usar a inteligência artificial com intenção, responsabilidade e foco em valor.

Começar do zero não é uma desvantagem. É uma oportunidade para construir uma base sólida. E usar a IA não apenas para fazer mais, mas para fazer melhor.

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Autora: Laura Napoles é GTM Product Designer e estrategista de AI e ecossistemas de startups na Oracle, onde atua na criação de iniciativas que conectam tecnologia, dados, founders e oportunidades de negócio. Ao longo de sua trajetória, liderou programas e projetos voltados à comunidade de startups, geração de demanda e inteligência de mercado, incluindo o Café com IA e o High Tech Explorer, solução conversacional para descoberta e priorização de startups. Também atua como professora em programas de pós-graduação da FIAP, compartilhando conhecimentos sobre gestão de produtos, startups, inovação, no-code/low-code e aplicação prática de tecnologia. Sua atuação combina estratégia, AI, comunidade e construção de conexões entre startups, grandes empresas e o ecossistema de inovação. LinkedIn | E-Mail

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Autora

Redação FIAP

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