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Tecnologia

Governança de Dados: o alicerce invisível da inovação (e da sua carreira)

Publicado

13 de janeiro

dados governanca
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Resumo

Acumular dados não significa gerar inteligência. Sem governança, as empresas criam apenas “pântanos digitais” caros e arriscados. A Governança de Dados deixou de ser uma burocracia técnica para se tornar o combustível essencial da IA e o diferencial estratégico para quem deseja liderar a transformação digital. Entenda como estruturar essa cultura de forma realmente efetiva.

Você provavelmente já ouviu a máxima de que “dados são o novo petróleo”. É uma frase bonita, repetida à exaustão em eventos e em posts no LinkedIn. Mas quem trabalha no dia a dia da tecnologia sabe que a realidade é bem mais complexa.

Sem o devido tratamento, dados não são petróleo. São apenas um ativo tóxico e caro de armazenar.

Muitas organizações modernas caíram na armadilha de acumular volumes massivos de informação. Sem o devido cuidado, os famosos Data Lakes se tornam Data Swamps (pântanos de dados), sem que ninguém saiba como garantir a qualidade, a origem ou a segurança desse ativo. É aqui que o discurso de Data-Driven bate de cara no muro da realidade operacional.

Em um cenário onde a Inteligência Artificial exige combustível de alta qualidade para funcionar, a Governança de Dados deixa de ser uma pauta burocrática de TI para se tornar um pilar estratégico de negócio.

O que é governança de dados e por que não é apenas “mais uma burocracia”

Se a gestão orientada a dados (data-driven management) é o motor que impulsiona a empresa, a governança de dados é o sistema de trânsito que impede que esse motor cause um acidente.

Governança não é sobre criar barreiras ou dificultar o acesso. Pelo contrário: é um conjunto de políticas, processos, papéis e métricas que garantem que a informação corporativa seja:

  • Confiável: O número de vendas no dashboard do Marketing bate com o do Financeiro?
  • Acessível: As pessoas certas conseguem acessar o dado sem múltiplos passos e chamados no Helpdesk?
  • Segura: Estamos protegendo dados sensíveis conforme a LGPD?
  • Utilizável: O dado está pronto para ser consumido por uma IA ou é apenas um ‘lixo’ digital?

Governança de dados não é um projeto, nem um documento estático. É um sistema operacional cultural, que permite que a organização use seus dados com confiança. Ela é a ponte entre a TI, que armazena o dado, e o Negócio, que utiliza a informação para a tomada de decisões. Sem ela, o que existe são apenas silos de informação desconectados.

Por que a governança virou pauta obrigatória no C-Level

Até pouco tempo, governança era vista como um “mal necessário”. Mas quatro vetores mudaram esse jogo:

  1. A barreira da Inteligência Artificial IA aprende com dados. Se você alimenta um modelo com dados “sujos”, enviesados ou desatualizados, você não terá inteligência artificial, terá um erro artificial.  
  1. O risco legal (Compliance): Com a LGPD, não saber onde estão os dados sensíveis não é apenas desorganização, é um passivo jurídico milionário. A governança traz a visibilidade para mitigar riscos de compliance. 
  1. Eficiência: Armazenar dados inúteis custa dinheiro e energia. Em tempos de Green Coding e ESG, uma boa governança limpa o ambiente digital, reduzindo custos de nuvem e a pegada de carbono da empresa. 
  1. Segurança: Em um mundo de ransomwares, saber exatamente onde residem seus dados permite aplicar camadas de proteção onde realmente importa. 

Existe diferença entre cultura de dados e governança de dados?

Muitas empresas acreditam que, por terem dashboards, squads de Analytics ou ferramentas de BI, já possuem governança. Mas cultura e governança de dados são conceitos diferentes, porém complementares.

  • Cultura de Dados é o comportamento: É o desejo da organização de basear decisões em fatos e não em intuição.
  • Governança de Dados é a estrutura: São as regras que garantem que, quando a cultura buscar o dado, ele estará correto.

Sem governança, a cultura de dados vira frustração, pois ninguém confia nos números que vê. O segredo das empresas líderes é unir os dois: a governança viabiliza a cultura.

Papéis e responsabilidades: quem faz o quê?

Um erro clássico é achar que o time de Engenharia de Dados deve definir as regras de negócio. Para a governança funcionar, é necessário ter papéis claros:

  • Data Owner: Líderes de negócio (heads de Marketing, Finanças, Operações, entre outros). São eles que decidem quem acessa o dado e quais são suas regras.
  • Data Steward: O curador. Cuida da qualidade no dia a dia, define o glossário e valida os dados. É o braço direito do Data Owner.
  • Data Champions: Embaixadores que disseminam as boas práticas. Estão espalhados nas áreas da empresa, traduzindo governança para o contexto local. Ajudam a fortalecer a cultura de dados.

Esse desenho cria uma rede de responsabilidade distribuída e evita o clássico cenário de “TI cuida de tudo e o negócio só consome”. Ao mesmo tempo, não substitui os times de Engenharia de Dados, BI ou Segurança.

Primeiros passos para estruturar a governança sem travar a empresa

Como sair da inércia? Para quem já tem BI, Analytics ou squads de dados, os primeiros passos de governança podem ser estruturados em ondas, evitando tentar cobrir toda a organização ao mesmo tempo e travar o negócio.

A melhor estratégia é a Governança como Serviço, focando na dor, não na regra.

  • Inventário e catálogo: Você não pode governar o que não conhece. Comece mapeando os dados críticos. Identifique bases, relatórios, dashboards e domínios que concentram maior impacto em receita, risco ou experiência do cliente.
  • Glossário de negócio: O que significa “Cliente Ativo”? Para o comercial pode ser quem comprou ontem, mas para o financeiro, quem não deve nada. Unificar essa linguagem e registrar essas definições em um glossário acessível é o passo mais valioso para acabar com reuniões improdutivas.
  • Comece pequeno (MVP): Não tente governar o oceano inteiro. Escolha um domínio crítico (ex: Cadastro de Clientes) e resolva a qualidade ali. O sucesso desse piloto venderá o projeto.
  • Medição e comunicação: acompanhar indicadores simples (como redução de retrabalho ou de inconsistências) e comunicar os resultados ajuda a reforçar o valor da governança.

Indicadores de maturidade em governança de dados

Para saber se vocês estão evoluindo é primordial sair “achismo” e fazer monitoramento. Muitas organizações começam medindo a simples presença de glossários, data owners nomeados e processos documentados. Com o tempo, evoluem para indicadores mais sofisticados:

  • Qualidade do dado: percentual de registros completos e válidos.
  • Tempo de descoberta: quanto tempo um analista leva para encontrar o dado que precisa?

Como a governança impulsiona sua carreira em tecnologia

O relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial, coloca especialistas em Big Data e IA no topo das profissões em crescimento. Mas o que poucos dizem é que, para posições de liderança, saber apenas Python ou SQL não é mais suficiente.

As empresas buscam profissionais que entendam o ciclo de vida do dado e tenham visão estratégica.

  • Para o técnico: entender governança evita retrabalho e torna seu código mais robusto e escalável.
  • Para o gestor: é a chave para desbloquear orçamentos de inovação, provando que a “casa está em ordem” para receber IA.

Desenvolver competências em governança posiciona você como um Líder Estratégico, capaz de conectar a tecnologia aos objetivos de negócio.

Formações avançadas na área, como MBAs e programas que combinam estratégia, dados e liderança, ajudam a acelerar essa transição, desenvolvendo tanto o repertório técnico quanto as habilidades humanas de influência e comunicação.

Se você quer liderar a transformação digital na sua empresa, comece organizando os dados. A tecnologia muda em velocidade alta, mas a necessidade de informações confiáveis é constante.

O mercado não espera, e os dados também não.

Imagem de Redação FIAP

Autora

Redação FIAP

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