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Inovação

Missão China: O que os chineses podem nos ensinar sobre Inovação e Tecnologia?

Publicado

05 de março

recorte do mapa mundi com a China ao centro e um alfinete vermelho marcando a localização do país
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Resumo

O que podemos aprender com a potência que deixou de ser a “fábrica do mundo” para liderar a inovação global? Conheça os insights da professora Mara Carneiro sobre a integração entre ciência, Estado e indústria na China e como essa intencionalidade redefine o mercado e as carreiras no século XXI.

Por Mara Carneiro – Cofundadora do Impact Lab no Grupo Alun, professora nas áreas de inovação, gestão de mudança e empreendedorismo da FIAP e FIAP para Empresas, e fundadora do MatriHub.

Há países que visitamos para conhecer. Outros, para negociar. E há aqueles que precisamos estudar. Bem-vindos à China! Uma potência que tem muito a nos ensinar sobre tecnologia e inovação, entre vários outros aspectos. Este é o primeiro texto de uma série de aprendizados e insights colhidos a partir de uma imersão no país asiático, realizada em outubro de 2025.

A China é um país que causa curiosidade em nós, ocidentais. Mas não foi isso que me levou a escolher este país para uma imersão e investigação. Minha visão ampliou ao observar um fato incontornável: nas últimas três décadas, a China deixou de ser apenas a “fábrica do mundo” para se tornar um dos mais ambiciosos laboratórios globais de integração entre ciência, tecnologia, indústria e estratégia de Estado.

O que está em curso ali, e tem muito a nos ensinar, não é apenas crescimento econômico. É um projeto deliberado de transformação sistêmica.

Enquanto parte do Ocidente enfrenta impasses na regulação de grandes empresas de tecnologia e debates sobre cortes de verbas universitárias, a China opera com uma lógica de coordenação estrutural entre Estado, universidades e setor produtivo. Isso não elimina tensões geopolíticas, nem debates sobre governança e regulação. Mas evidencia intencionalidade.

Essa engrenagem tem impactos que ultrapassam o território chinês. Ela redefine fluxos globais de comércio, circulação de talentos, hubs logísticos e modelos de inovação. Transforma sistemas de pagamento em infraestrutura, interior em plataforma e cultura em ativo econômico articulado com tecnologia.

A viagem para a China aconteceu em outubro de 2025 e teve como objetivo observar, em campo, como esses sistemas operam na prática. Não apenas nas grandes metrópoles, mas em territórios fora do eixo mais visível.

Claro que havia interesse nas universidades de ponta (sempre há!), mas também nas interfaces entre cultura, infraestrutura digital e política pública. Entender a inovação tecnológica passa pela forma como sistemas são desenhados para funcionar sob escala, densidade e pressão real.

Na China, visitamos as cidades de Beijing, Guilin, Yangshuo, Jiangyong, Shenzhen, Guangzhou e Hong Kong. Além disso, fizemos uma parada estratégica em Addis Ababa, na Etiópia, que vem se posicionando e sendo reconhecida como um hub internacional no Chifre da África, conectando América Latina, África, Oriente Médio e Ásia de forma cada vez mais direta.

Estudar a China é estudar uma arquitetura coordenada

Nos últimos anos, rankings internacionais passaram a evidenciar um dado que surpreende parte do Ocidente. Artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em classificação repercutida pelo The New York Times, destacou a presença avassaladora de universidades chinesas entre as mais bem avaliadas do mundo.

Em algumas listas recentes, oito das dez primeiras posições são ocupadas por instituições chinesas. A Universidade de Zhejiang, que há duas décadas aparecia na 25ª posição, hoje lidera determinados rankings globais.

Listas podem ser debatidas. Métricas podem ser questionadas. Mas o movimento é inequívoco: a expansão da produção científica chinesa foi muito mais acelerada do que a de seus pares ocidentais nos últimos anos, e continua sendo assim.

Segundo estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), publicado em junho de 2025, aproximadamente 85% dos gastos governamentais chineses em pesquisa e desenvolvimento são direcionados a atividades de desenvolvimento experimental relacionadas à fabricação e produção e não apenas à pesquisa básica.

O objetivo é transferir os motores da inovação das organizações públicas de pesquisa para os setores industriais, fortalecer a capacidade tecnológica da indústria e melhorar a comercialização dos resultados científicos.

Uma política de Estado

Essa integração entre geração de conhecimento e aplicação produtiva, que muitas vezes é tratada como desafio no Brasil, foi estruturada na China como política de Estado.

O professor Osvaldo Novais de Oliveira Jr., do Instituto de Física de São Carlos (USP), em artigo publicado no Jornal da USP, lembrou que, no início da década de 1990, a produção científica chinesa era numericamente semelhante à brasileira e havia pouca tecnologia produzida localmente. O salto subsequente não foi espontâneo. Ele foi resultado de investimento consistente, articulação entre universidades e indústria e foco em inovação tecnológica.

Esse movimento foi formalizado em políticas industriais explícitas que definiam setores estratégicos (semicondutores, robótica, inteligência artificial, biotecnologia, veículos elétricos e manufatura avançada) como prioridades nacionais. O propósito não é apenas inovar, mas dominar cadeias de valor, reduzir dependências externas e ampliar soberania tecnológica.

A China interessa porque tensiona premissas

O país demonstra que desenvolvimento não é fruto de espontaneidade, mas de coordenação. Para o Brasil, essa reflexão é estratégica. Temos produção científica relevante, diversidade cultural extraordinária e riqueza territorial imensa. O que frequentemente nos falta é a integração fluida entre conhecimento, indústria e projeto de longo prazo.

Estudar a China não é propor uma replicação automática. Contextos históricos e políticos são distintos. É, sobretudo, compreender um sistema que opera com coerência interna e extrair aprendizados sobre escala, método e intencionalidade.

Os textos que compõem esta série registram reflexões que emergem quando se observa um país que decidiu tratar ciência, tecnologia, território e cultura como partes de um mesmo projeto. Boa jornada!

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Autora: Mara Carneiro – Cofundadora do Impact Lab no Grupo Alun (FIAP, Alura, PM3 e StartSe), já coordenou MBAs na FIAP e FIAP para Empresas, e atualmente é professora nas áreas de inovação, gestão de mudança e empreendedorismo da instituição. É fundadora do MatriHub e documentarista, e realiza pesquisas de campo internacionais para traduzir inteligência colaborativa em estratégia de negócios. É graduada pela USP, com MBA pela FGV e Especialização em Teoria U (MIT), Mindfulness Design (DeROSE Method) e na HAGIA Akademie (Alemanha), somando 20 anos em inovação e liderança. LinkedIn | E-Mail

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Redação FIAP

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