Resumo
A inteligência artificial está mudando o mercado de trabalho, mas a transição para a tecnologia não exige que todos comecem do zero. A partir das conversas do Reboot Experience em nove cidades brasileiras, Thamires Cazorino reflete sobre carreira, aprendizado contínuo e a importância de aproximar educação, empresas e comunidades para ampliar o acesso a oportunidades.
Por Thamires Cazorino, especialista em Comunidades, Expansão de Produtos e Inovação, com sólida experiência no ecossistema de tecnologia, startups e educação. Atualmente é parte do time de Community Management da FIAP.
Nos últimos meses, acompanhei de perto profissionais de diferentes regiões do Brasil, com histórias, formações e momentos de carreira distintos.
Em comum, todos tinham perguntas muito parecidas e estavam participando do Reboot Experience, projeto da FIAP que rodou nove cidades brasileiras. As questões iam de “ainda dá tempo de mudar de carreira?” até “preciso saber programar para trabalhar com Inteligência Artificial?”. E, claro, todos também queria saber como se preparar para as mudanças que já estão acontecendo no mercado de trabalho.
Eu tive a oportunidade de ajudar a construir e conduzir o Reboot Experience este ano, uma iniciativa de apoio à formação de profissionais por meio de encontros regionais, de forma a aproximar o debate sobre IA da realidade de diferentes perfis e reforçar seu papel como porta de entrada para carreiras tech.

Foram mais de 1500 pessoas impactadas, em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Campinas, Goiânia, Florianópolis, Belo Horizonte e Recife. Depois de tantas conversas e tantos quilômetros percorridos, acredito que o principal resultado dessa experiência não está nos números: está nas pessoas.
Quando falamos sobre IA, também estamos falando sobre carreira
Existe uma discussão enorme sobre como a Inteligência Artificial vai transformar profissões, criar funções e modificar atividades que já conhecemos. Mas, para quem já está vivendo essas mudanças no dia-a-dia, a discussão é muito mais pessoal.
É sobre alguém que construiu uma carreira durante anos e agora percebe que precisa desenvolver novas habilidades. Ou aquela pessoa que quer migrar para tecnologia, mas não sabe por onde começar. É sobre entender quais competências continuarão relevantes. E também sobre quem olha para tudo o que está acontecendo e sente que já ficou para trás.
Foi justamente por isso que uma das premissas do Reboot sempre foi colocar carreira antes da tecnologia.
A IA entrou como ferramenta e como catalisadora de oportunidades, mas o centro da conversa sempre foram as pessoas e os caminhos que elas podem construir em um mercado em constante transformação.
Essa também é a essência do projeto: falar menos sobre tecnologia pela tecnologia e mais sobre como ela pode abrir novas possibilidades profissionais.
Não existe uma única porta de entrada para tecnologia
Talvez um dos aprendizados que mais tenha ficado comigo seja perceber como ainda precisamos desmistificar a ideia de que trabalhar com tecnologia significa necessariamente começar do zero ou abandonar toda a experiência profissional construída até aqui.
Durante o projeto, encontramos pessoas em diferentes momentos dessa jornada.
Algumas estavam tendo o primeiro contato técnico com IA. Outras já buscavam aplicações mais avançadas. E muitas queriam simplesmente entender como aquilo se conectava à profissão que já exerciam.
Por isso, construímos conteúdos que iam dos primeiros conceitos e projetos com IA até discussões mais avançadas, sempre acompanhados de conversas sobre mercado, empregabilidade e carreira.

Na prática, a transformação profissional nem sempre significa abandonar o que você fez até hoje. Muitas vezes, significa combinar repertórios.
Conhecimento de negócio, comunicação, gestão, criatividade, dados, tecnologia e tantas outras competências podem ganhar novos significados quando somados às possibilidades trazidas pela IA.
O mercado precisa fazer parte dessa conversa
Em cada cidade, buscamos construir o projeto com uma visão regional. Conectamos professores, empresas de tecnologia, especialistas em recrutamento, comunidades, alunos e ex-alunos da FIAP.
Queríamos ouvir quem contrata, quem ensina, quem trabalha com tecnologia e, principalmente, quem já esteve exatamente no lugar de quem estava sentado na plateia.
Histórias reais de transição têm uma força que nenhum slide consegue reproduzir.
Quando alguém conta que também teve medo, precisou aprender uma nova habilidade, começou sem dominar tudo ou mudou de área depois de anos em outra profissão, a transição deixa de parecer uma ideia distante e passa a parecer um caminho possível.
E talvez esse seja um dos papéis mais importantes que instituições de ensino, empresas e comunidades podem desempenhar neste momento: diminuir a distância entre quem quer uma oportunidade e quem pode ajudar a construir o caminho até ela.
A transformação precisa acontecer para além dos grandes centros
Percorrer nove cidades também reforçou algo em que acredito muito: talento está em todos os lugares, mas as oportunidades, conexões e discussões sobre o futuro do trabalho ainda não chegam da mesma forma a todos eles.
Por isso, regionalizar o projeto foi uma escolha importante.
Não queríamos simplesmente levar um evento pronto de São Paulo para outras cidades. Queríamos construir conversas que fizessem sentido para cada ecossistema, envolvendo pessoas daquela região e entendendo suas particularidades.
Isso também significa ampliar acesso.
Quando educação, mercado, empresas e comunidades se encontram, criamos ambientes nos quais uma conversa pode virar uma conexão, uma conexão pode virar aprendizado e, eventualmente, uma oportunidade profissional.
Ninguém precisa ter todas as respostas agora
Depois de acompanhar tantas conversas ao longo desse projeto, uma coisa ficou ainda mais clara para mim: diante da velocidade das transformações provocadas pela IA, talvez a principal habilidade não seja saber exatamente como será o mercado daqui a cinco anos.
É estar disposto a continuar aprendendo.

A tecnologia vai continuar mudando. Algumas funções vão se transformar, outras vão surgir e novas competências serão exigidas. E a educação precisa acompanhar esse movimento não apenas ensinando ferramentas, mas ajudando as pessoas a entenderem onde estão, quais caminhos existem e como podem se preparar para o próximo passo.
Mais do que falar sobre Inteligência Artificial, pudemos conversar sobre possibilidades.
E, depois de encontrar tantas pessoas tentando descobrir qual será o próximo capítulo de suas carreiras, termino essa jornada com uma convicção ainda maior: o futuro do trabalho não pode ser uma conversa restrita a quem já está dentro da tecnologia. Ele precisa incluir também quem está tentando encontrar seu lugar nela.
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Autora: Thamires Cazorino é especialista em Comunidades, Expansão de Produtos e Inovação, com sólida experiência no ecossistema de tecnologia, startups e educação. Atualmente é parte do time de Community Management da FIAP. LinkedIn | E-Mail





